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Terça-feira, Junho 25, 2024

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Torre dos Alcoforados: residência fortificada

PAREDES –  Torre dos Alcoforados: residência fortificada – Exemplo de “domus fortis” (residência senhorial fortificada), a Torre dos Alcoforados é representativa de uma tipologia de habitação senhorial que marcou a Idade Média portuguesa, pelo menos até encontrar a resistência do poder régio.
A Torre dos Alcoforados, também designada popularmente como “Torre dos Mouros” ou “Torre Alta”, acabou por adotar o nome da família de que a tradição tem vindo a conotar como sua fundadora.
Apesar das incongruências, dúvidas e hiatos que a história daqueles que se ligam a este edifício possa suscitar, o que é mais provável é que a origem desta Torre se encontre ligada a indivíduos do círculo dos de Urrô, depois diluídos em Brandões e estes, finalmente, nos Alcoforados.
A dispersão dos seus senhores entre famílias portuenses e de Entre-Douro-e-Minho poderá justificar o facto de esta Torre cedo ter ficado desabitada, muito embora se tenha mantido enquanto símbolo de prestígio.
Seguramente posterior a 1258, a Torre dos Alcoforados foi edificada num afloramento granítico, que lhe acentua a verticalidade (a Torre conta, hoje, com cerca de 8,60 metros).
Destaca-se assim no meio de um vale agrícola encaixado entre a serra da Agrela e a serra de São Tiago, irrigado pelo rio Ferreira (que passa a sudeste) e pela ribeira de Feteira (a nordeste) e ainda pontuado por vários poços e engenhos característicos de uma intensiva exploração agrária.
A ideia de domínio está bem marcada pelos indícios que nos mostram que um balcão, provavelmente dotado de matacães e de uma pequena cobertura, se abria no andar nobre da edificação, voltado a nordeste, abrindo a Torre senhorial para a propriedade agrícola imediata que controla.
O modelo da torre senhorial românica deriva do modelo importado das torres de menagem dos castelos da mesma época, sobrepondo-se a componente civil à militar.
É, por isso, que a porta de acesso à Torre dos Alcoforados está já rasgada ao nível térreo, evidente reflexo da sua função já residencial, entenda-se senhorial.
Delimitada por um arco de volta perfeita, a porta apresenta uma verga de arco desenhado ao modo de lintel, composto por quatro aduelas, e estaria abrigada por uma estrutura alpendrada, de uma só água, conforme parece indicar o negativo marcado no paramento.
Embora no topo da Torre faltem algumas fiadas de silhares, pensa-se que esta terá sido ameada. Na estrutura desta edificação há um elemento que nos permite datar de forma aproximada a sua construção durante a primeira metade do século XIV.
Tratam-se das janelas de sabor gótico, dotadas de mainel com arestas chanfradas no exterior e pedra horizontal com sistema de tranca no interior.
Rasgadas num largo muro, com cerca de 1,10 metros de espessura, estas janelas são interiormente enquadradas por um arco ligeiramente abatido que abriga, ainda, conversadeiras de alvenaria situadas logo abaixo do peitoril, nos flancos dos rasgos da parede.
Os sobrados dos pisos superiores, como as escadas que lhes permitiam o acesso, eram em madeira, conforme denunciam os encaixes das traves que sustentavam o sobrado.
A Torre dos Alcoforados integra a Chamada Rota do Românico (Rota do Românico – Percurso “Vale do Sousa”)(http://www.rotadoromanico.com/)
(41°14’56.22″N 8°24’30.10″W) Rua da Torre Alta – Lordelo – Paredes – Porto – Região Norte – Portugal
“Não há nada no mundo, nem recompensa, nem castigo, o que há são consequências.“ — Robert Green Ingersoll
– Torre dos Alcoforados: residência fortificada

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