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Sexta-feira, Junho 21, 2024

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Na aldeia de Pitões da Júnias

MONTALEGRE – Ao percorrer as velhas ruas da aldeia de Pitões de Júnias, apercebemo-nos como era (aqui ainda é) a vivência das antigas aldeias, por aqui predominam as velhas construções no duro granito da região sem revestimento, sendo poucas e raras as novas construções de tijolo e cimento, nesta rua da aldeia estava um moinho de rodízios, que moía os cereais produzidos, e providencia a farinha para o pão, cozido no forno comunitário.
Herdeira natural da velhíssima freguesia de São Vicente do Gerês, nas profundezas do rio Beredo, que recebe águas de vários ribeirinhos na montanha, Pitões das Júnias é uma das mais pitorescas freguesias das terras do Barroso (concelho de Montalegre), em pleno Parque Natural da Peneda-Gerês, e “desfruta” do estatuto de uma das povoações mais altas de Portugal (altitude de 1100 metros).
Sempre foi conhecida por ser terra de gente lutadora e mesmo guerreira: não resistiu à destruição do Castelo, nem do Mosteiro, nem da sua “república ancestral” (conjunto de normas comunitárias e democráticas dos seus habitantes) mas resistiu aos Menezes, condes da Ponte da Barca, a quem um rapaz de casa do Alferes foi raptar uma filha com a qual casou; e resistiu à pilhagem e assaltos sistemáticos que os Castelhanos organizavam durante a guerra da Restauração.
Em 1665, “um grande troço de infantaria e cavalaria, sob comando de D. Hieronymo de Quiñones atacou Pitões, mas não só não conseguiram queimar o povo como este lutou bravamente pondo em fuga o inimigo e sem perdas”. Alguns dias após (com os pitonenses a ajudar, em represália) o capitão de couraças João Piçarro, com 800 infantes, atacaram Baltar, Niño d’Águia, Godin, Trijedo e Grabelos “donde trouxeram 400 bois, 1500 ovelhas e 20 cavalos”. E resistiu ao florestamento da Mourela, com pinheiros, o que levaria à perda das suas vezeiras. Resistiram sempre e ainda bem resistem!
Esta bem preservada aldeia, é uma delícia para o olhar, e encontramos em cada esquina verdadeiras pérolas da arte e cultura popular, de um saber que se perde nas brumas do tempo, sem dúvida que esta aldeia é palco de ancestrais tradições que mergulham fundo nas raízes culturais ancestrais.
Parece que por aqui não passou o tempo, sentimo-nos a viajar umas quantas décadas para trás e tudo em plena harmonia com a natureza.
O seu enquadramento paisagístico é extraordinário, encontramos uma aldeia isolada, emoldurada pelas planuras verdes da Mourela, tendo como imagem de fundo as poderosas escarpas e morros graníticos do Gerês.
Curiosamente esta aldeia ainda é bem povoada (161 Habitantes, 20% com menos de 25 anos, dados de 2011), as habitações são de pedra lavrada em granito da região, muito próximas umas das outras e as ruas estreitas cobertas em calçada, característica tipicamente transmontana.
(41°50’32.07″N 7°57’2.32″W) Pitões das Júnias – Montalegre – Vila Real – PN Peneda-Gerês – Portugal
“Se você tem uma laranja e troca com outra pessoa que também tem uma laranja, cada um fica com uma laranja. Mas se você tem uma ideia e troca com outra pessoa que também tem uma ideia, cada um fica com duas. “ – Confúcio
Na aldeia de Pitões das Júnias

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