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Terça-feira, Junho 25, 2024

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Ao Visitar Os Nossos Mortos

Ao Visitar Os Nossos Mortos – A morte é o maior dos dramas da existência. Indiscutivelmente, todos nós nos iremos defrontar com ela: é o limite último de nosso existir neste mundo. Mas, mesmo sabendo que é um condicionamento certeiro, ela continua a ser um drama para nós.

Todas as experiências que fizemos, até então, com o morrer, são aquelas rupturas (dolorosas e espantosas) com os que amamos, com os que conhecemos, com os que ouvimos dizer. Nós, mesmos, experimentaremos esse ato derradeiro uma única vez.

Todos e todas temos sede do infinito. A morte e o morrer são dramáticos porque são o sinal mais efetivo e radical de nossa finitude.

Quando alguém que amamos morre, sofremos duas vezes: pela ruptura da presença e pelo anúncio que essa ruptura traz, o de que nosso destino é o mesmo, sem sabermos quando e como.

Apesar da dimensão dramática e angustiante, podemos crescer na consciência de que o inevitável não precisa, necessariamente, ser uma experiência esvaziada de sentido.

Por que são tema central nas religiões?

Por ser uma das temáticas mais latentes e fortes que acompanham toda pessoa humana, a morte e o morrer são tratados com bastante atenção pelas religiões.

Cada uma à sua maneira contribui para ajudar os seus fiéis e adeptos a compreender a morte e o morrer, de modo a atribuir sentido para essa dramática experiência. E essas tentativas de atribuir sentido à morte e ao morrer acabam por jogar luz sobre o modo como a vida é vivida.

No calendário litúrgico católico, duas celebrações estão unidas de modo umbilical: trata-se da Festa de Todos os Santos e Santas de Deus, em 1º de novembro, e Fiéis Defuntos, no dia seguinte.

Ambas apontam para o mistério da páscoa de Cristo: os que morreram na fé gozam da comunhão com Deus, revestidos por sua santidade.

E, segundo cremos, os vínculos afetivos com os que aqui ainda permanecemos, não se rompem, pois a nossa comunhão ultrapassa os limites de espaço e tempo.

No impedimento de se vivenciar a importante etapa do luto, com as práticas costumeiras de velório e ritos fúnebres, precisamos pensar como contribuir para que as pessoas possam vivenciar essa dor do luto, apesar dos condicionamentos de nosso tempo de pandemia.

 

Felipe Magalhães Francisco é teólogo. Articula a Editoria de Religião de DomTotal. É autor do livro de poemas ‘Imprevisto’ (Penalux, 2015). E-mail: felipe.mfrancisco.teologia@gmail.com

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