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Sexta-feira, Junho 21, 2024

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Mosteiro Beneditino em Castro de Avelãs

O Mosteiro de S. Salvador de Castro de Avelãs é um dos monumentos mais simbólicos do Nordeste transmontano, ilustrando simultan a arte românica e a vida monacal da região.
Em crescendo de importância ao longo de toda a Baixa Idade Média (a partir de uma primeira protecção de D. Afonso Henriques), o mosteiro beneditino, dispondo de um imenso património, chegou a exercer uma “influência despótica na região de Bragança”, razão da sua decadência forçada no século XVI.
Em 1545, uma bula papal ordenou a extinção da comunidade e a passagem dos seus bens para a futura diocese de Bragança/Miranda.  Na sequência deste facto, a população destruiu grande parte da igreja, perdendo-se então, irremediavelmente, o corpo original do templo.
Do projecto românico primitivo, subsiste a cabeceira, tripartida e escalonada quer em altura, quer em dimensão. De planta semi-circular de dois tramos, a capela-mor e os absidíolos são uma obra única na nossa arte românica.
Ao contrário do que foi comum no Portugal medieval, o material empregue foi o tijolo, matéria de muito menor custo que a pedra. Os muros exteriores são decorados com grandes arcaturas cegas, de arco duplo a pleno centro, que ritmam horizontalmente a totalidade dos alçados. A decoração empregue é estritamente geométrica, com molduras salientes e frisos em dentes de serra.
Todas estas características são o resultado de um grupo estilístico românico muito importante em terras leonesas, a que se vem chamando de “Românico Mudejar”, precisamente pelas reminiscências islâmicas ao nível da decoração geométrica e do emprego do tijolo como matéria-prima.
Manuel Monteiro chamou a atenção para as enormes semelhanças entre a igreja transmontana e o templo de San Tirso de Sahagún (um dos mais emblemáticos mosteiros peninsulares nos séculos XII e XIII), concluindo que este havia sido executado, em tijolo, por albanilles recrutados em Toledo.
Carlos Alberto Ferreira de Almeida aprofundou as analogias de Castro de Avelãs a toda a meseta leonesa, de Toro a Valladolid e a Salamanca, integrando-a numa corrente estilística mais vasta que percorre todo o românico leonês dos séculos XII a XIV.
Mas se, de um ponto de vista estilístico, não restam dúvidas sobre as influências mudejares e leonesas, a cronologia da obra permanece como uma das principais dúvidas, à semelhança de quase todo o nosso Românico.
Com efeito, a datação para a cabeceira tem vindo a ser sucessivamente avançada, sem grandes certezas. Se, numa primeira fase da investigação, os finais do século XII apareciam como uma data consensual, na sequência dos apoios do nosso primeiro monarca, as sucessivas abordagens de Ferreira de Almeida situaram a obra no segundo quartel do século seguinte.
A inexistência de paralelos no nosso país tem dificultado uma melhor conclusão e aguarda-se, ainda, um rigoroso estudo ao conjunto remanescente, que inclua uma intervenção arqueológica, uma vez que foram identificados, no local, vestígios de um primitivo estabelecimento de época romana.
Certo é que, aquando da sua construção, a igreja detinha grande monumentalidade, pois previa um plano de três naves (de que ainda resta o arranque de uma nave lateral) e uma fachada harmónica com duas torres ladeando um corpo central.
Ao que tudo indica, este projecto não foi concluído, provavelmente por ser demasiado ambicioso face às efectivas condições da comunidade. Em todo o caso, a sua importância foi efectiva o suficiente para inspirar a construção do convento mendicante de São Francisco de Bragança, cuja cabeceira primitiva segue fielmente o mesmo modelo.
No interior, no absidíolo direito, existe o túmulo de D. Nuno Martins de Chacim, mandado executar cerca de 1262 e decorado unicamente com motivos heráldicos e um epitáfio inacabado.
(41º47’56.36″N 06º48’16.31″W) Castro de Avelãs – Bragança – Nordeste – Trás-os-Montes – Região Norte – Portugal

“É necessário idealizar o real que se vê, e realizar o ideal que se sente.“ – Alexandre Dumas

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