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Terça-feira, Junho 25, 2024

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O pelourinho de Chaves

CHAVES – O Pelourinho – Localizado no lado esquerdo da Igreja Matriz, o pelourinho não passa desapercebido, apesar da maior parte do tempo estar bastante escondido, pelos menos a base, por vários automóveis estacionados ao redor.
O pelourinho de Chaves, de estilo manuelino, foi construído em frente aos Paços do Concelho na Praça da República em 1515 como símbolo maior da autonomia judicial. Nos finais do ano 1864, os velhos Paços do Concelho foram demolidos e vendidos.
Em 1870, o pelourinho foi apeado. Em vez de o transferirem para frente do novo edifício, ergueram-no no pequeno largo da Madalena, colocando-se um catavento de ferro cravado no capitel. Uns anos depois, foi novamente apeado para a construção de um fontanário no local; o seu fuste e capitel estiveram arrumados muitos anos no quintal do Tenente-Coronel Sousa Machado, no largo da Madalena.
Foi em 1910 depois de proclamada a República que houve a ideia de o reerguer frente à Câmara, tal como sucedeu com diversos exemplares existentes no país, originando, sem dúvida, pequenas intervenções de restauro. A principal característica do pelourinho de Chaves é o capitel com molduras e um friso com decoração vegetalista, onde coexiste uma pirâmide truncada invertida lavrada nas faces.
De um lado do capitel as armas do reino, do outro as de Chaves: brasão com as armas de Portugal, com bordadura de oito castelos, ladeado por duas chaves com grandes palhetões de três dentes voltados para cima e para o centro; servindo de apoio, troço de ponte constituído por quatro arcos.
Sobre os cantos do tabuleiro formado pelo capitel destacam-se quatro colunelos torcidos, tendo ao centro um outro liso e maior, encimado por bocel e esfera armilar, que em tempos servira de ornato a um chafariz, e pôs-se-lhe à volta 4 pináculos.
Chaves Integra um dos seis concelhos da região do ‘Alto Tâmega’, encerra no seu termo testemunhos de origens muito remotas, ainda que predominem os vestígios correspondentes à Idade do Ferro – a exemplo dos povoados fortificados de altura – e do período romano, altura em que se ergueram múltiplas construções, especialmente no que se referia ao sistema viário, evidenciando, a par da localização estratégica da região, a fertilidade dos seus terrenos, riqueza termal das suas águas e abundância mineral dos seus subsolos, razões maiores da presença humana nos seus múltiplos recantos.
Antiga e imponente Aqua Flaviae Romana, pontuada de várias tipologias arquitectónicas características de uma urbe da sua importância, Chaves acumulou valências ao longo dos tempos, convertendo paulatinamente o anterior núcleo urbano na área onde se ergue a igreja Matriz nos nossos dias.
Não obstante, a sua imponência foi mitigando a partir do século III, nomeadamente com as denominadas “invasões bárbaras”, ditando a destruição quase total da cidade romana, uma situação agravada durante a presença moura, com as intermináveis incursões bélicas e a consequente fuga populacional para as montanhas, até que, já no século XI, D. Afonso III (848-912), o ‘Magno’, de Castela, a reconquistou, ordenando a sua reconstrução e repovoamento.
Chaves, porém, integraria ‘Portugal’ apenas em 1160. Uma permanente instabilidade perfeitamente compreensível à luz da sua condição fronteiriça, conduzindo ao levantamento, por iniciativa de D. Dinis, do extenso sistema defensivo ainda hoje parcialmente visível na cidade, fortalecido com D. Afonso III, com a doação do principal instrumento de autonomia concelhia – ao mesmo tempo que de incentivo ao repovoamento -, ou seja, o foral, confirmado no reinado de D. Afonso IV e renovado por D. Manuel I, em 1514.
(41°44’23.48″N 7°28’14.34″W) Cidade de Chaves – Vila Real – Trás-os-Montes – Região Norte – Portugal
“No final tudo vai ficar bem. Se não está tudo bem, não é o fim.“ – John Lennon

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